Presidente Lula em visita à Índia com bandeiras do Brasil e da Índia ao fundo, simbolizando a ampliação do comércio bilateral e da cooperação econômica entre os países.

Lula vai à Índia para ampliar comércio e união bilateral

Lula vai à Índia para ampliar comércio e cooperação bilateral

Brasília – A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, prevista para ocorrer entre os dias 19 e 21 de fevereiro, é vista pelo governo brasileiro como estratégica para ampliar o comércio bilateral, aprofundar parcerias econômicas e minimizar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

A expectativa oficial é elevar a corrente de comércio entre os dois países dos atuais US$ 15 bilhões para US$ 20 bilhões ainda em 2025. Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, a Índia representa hoje o maior potencial de crescimento do comércio exterior brasileiro. Segundo ele, “se me perguntarem onde está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”. Lula vai à Índia para ampliar comércio e união bilateral.

Missão empresarial reforça estratégia comercial do Brasil

A agenda presidencial será acompanhada por uma missão empresarial organizada pela ApexBrasil, que deve levar mais de 200 empresários brasileiros a Nova Déli. Entre as empresas confirmadas estão Petrobras, Vale e Weg, que já atuam no mercado indiano e buscam ampliar suas exportações.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do governo federal para diversificar mercados, reduzir a dependência de parceiros tradicionais e diluir os efeitos do tarifaço adotado pelo governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump.

Especialistas em comércio exterior classificam a Índia como “a nova China para o Brasil”, diante do volume populacional, do crescimento econômico e das oportunidades em setores estratégicos.

Exportações brasileiras à Índia seguem concentradas

Em 2024, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para a Índia. A pauta foi liderada por petróleo, que respondeu por cerca de 30% das vendas. Em seguida vieram açúcares e melaços (15%), gorduras e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%).

Segundo Jorge Viana, o governo brasileiro pretende diversificar a pauta exportadora, ampliando a presença de produtos de maior valor agregado. Além disso, Lula busca envolver a Embrapa e a pequena agricultura brasileira em projetos de cooperação para aumentar a produtividade dos pequenos produtores rurais indianos.

Petróleo lidera vendas e Petrobras vê espaço para crescer

O petróleo permanece como o carro-chefe das exportações brasileiras para a Índia. Em 2025, as vendas do produto somaram US$ 1,9 bilhão, registrando alta de 59,8% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secex/MDIC.

A estratégia da Petrobras é consolidar o Brasil como fornecedor estratégico de petróleo para o mercado indiano, ocupando parte do espaço deixado pela redução das importações de petróleo russo, afetadas por sanções impostas por países ocidentais.

Recentemente, a Indian Oil Corporation (IOC) adquiriu 2 milhões de barris da Petrobras, além de volumes provenientes de Abu Dhabi e Angola, com carregamento previsto para março.

Vale aposta na Índia e no avanço do aço verde

O minério de ferro foi o quarto principal item da pauta exportadora brasileira para a Índia em 2024, com vendas superiores a US$ 442 milhões, mesmo após um crescimento expressivo de 123,3% em relação a 2023.

O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, deverá liderar a comitiva da empresa na missão à Índia. A mineradora aposta em um aumento significativo dos embarques e vê o país asiático como mercado-chave para a expansão do conceito de aço verde, alinhado à estratégia global de descarbonização da companhia.

Embraer busca ampliar presença na aviação indiana

Outro destaque da missão é a Embraer, que deverá anunciar avanços em uma parceria para montagem de aeronaves comerciais na Índia. A empresa estima que o país precisará de ao menos 500 aeronaves entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos.

A fabricante brasileira avalia ainda a possibilidade de instalar na Índia linhas de montagem final, incluindo o cargueiro multifunção C-390, ampliando sua atuação nos segmentos comercial e de defesa.

Objetivo é ampliar produtos industrializados na pauta

Atualmente, apenas cinco produtos respondem por 70,6% das exportações brasileiras para a Índia. A visita de Lula busca reduzir essa concentração, ampliar a participação de produtos manufaturados e fortalecer parcerias industriais de longo prazo.

Com isso, o governo espera não apenas aumentar o comércio bilateral, mas também fortalecer a posição do Brasil no cenário internacional, em um contexto de crescentes tensões comerciais globais.

Fonte: https://comexdobrasil.com/lula-vai-a-india-para-ampliar-comercio-e-cooperacao-e-buscar-alternativas-para-minimizar-efeitos-do-tarifaco-dos-eua/