Uma onda recorde de tufões no comércio exterior fecha portos chineses, atrasa fretes e eleva custos; veja os impactos e as soluções disponíveis
tufões no comércio exterior e como estão afetando o mercado
O Tufão Saudel avança neste momento sobre o Mar da China Oriental e reacende o alerta sobre os tufões no comércio exterior. A tempestade deve tocar terra entre a noite desta quinta-feira, 27 de agosto, e a manhã de sexta-feira, 28 de agosto, na divisa entre as províncias de Zhejiang e Fujian, segundo o Centro Meteorológico Nacional da China. Antes mesmo do impacto direto, autoridades marítimas de Xangai e de Ningbo já suspenderam operações em terminais e interromperam parte do fluxo de contêineres.
O episódio se soma a uma sequência preocupante. Os tufões Dolphin, Bavi e Noul já haviam fechado portos chineses nas últimas cinco semanas. Cada novo evento reforça um padrão que o mercado não pode mais tratar como exceção: os tufões no comércio exterior deixaram de ser um risco pontual e viraram um fator estrutural de planejamento.
Xangai e Ningbo: o epicentro da crise
Xangai e Ningbo-Zhoushan formam, juntas, o maior complexo portuário do planeta. Em agosto, o Tufão Dolphin fechou os terminais de Yangshan e Waigaoqiao por três dias e deixou mais de 2,4 milhões de TEUs de capacidade de contêineres retidos, de acordo com a consultoria Linerlytica.
O congestionamento global bateu recorde histórico: 4,31 milhões de TEUs parados, o equivalente a 12,6% da frota mundial de contêineres, com metade dessa fila concentrada no norte da Ásia, conforme dados do centro de monitoramento da SEKO Logistics. Portanto, o problema não termina quando um único tufão passa — ele se acumula a cada nova tempestade da temporada.
O que muda para quem importa da China
Para o importador brasileiro, o efeito chega em cascata. O trânsito marítimo entre a China e o Porto de Santos já varia normalmente entre 30 e 45 dias. Quando um tufão fecha Xangai ou Ningbo por três ou quatro dias, o atraso não desaparece: ele se propaga por toda a fila de navios.
Na prática, isso soma de dois a sete dias extras à viagem, além do risco de a carga ser realocada para o navio seguinte — o que pode significar mais uma a duas semanas de espera. Assim, uma importação planejada para 35 dias facilmente ultrapassa os 50.
Custos ocultos: demurrage, seguro e frete
Além do atraso, existe o custo direto. Contêineres retidos além do free time geram demurrage e detention, cobradas por dia de retenção. Um desembaraço aduaneiro travado, somado a um atraso de origem, multiplica essas diárias rapidamente — mais um capítulo dos tufões no comércio exterior que raramente aparece na manchete, mas pesa direto no fluxo de caixa.
Do lado da exportação, o produtor brasileiro também sente o impacto. A disputa por espaço em navios nos portos asiáticos reduz a disponibilidade de embarcações no sentido inverso e pressiona o frete de commodities como soja, milho e carne, elevando o custo logístico por tonelada exportada.
Como o mercado deve se preparar
Diante desse cenário, o comportamento do mercado precisa mudar. Cinco medidas concretas reduzem a exposição ao risco:
- Antecipar embarques — reservar espaço com três a seis semanas de antecedência, sem depender da última semana antes de uma tempestade.
- Construir margem de segurança no cronograma — tratar o transit time padrão como piso, não como teto.
- Diversificar rotas e portos de origem, já que Xangai e Ningbo concentram boa parte do risco climático da região.
- Contratar seguro de carga com cobertura para atraso e avaria decorrente de intempérie.
- Manter a documentação impecável — fatura comercial, packing list e classificação fiscal corretos — porque o atraso por erro documental é o único totalmente evitável dessa cadeia.

O papel da Astec Brasil
É exatamente nesse último ponto que a Astec Brasil atua. Como despachante aduaneiro especializado na rota Brasil-China há mais de 40 anos, a empresa acompanha o processo de importação e exportação de ponta a ponta: da classificação fiscal correta à liberação alfandegária, passando pelo monitoramento de licenças de importação e pela orientação sobre o melhor momento de embarque diante de riscos climáticos e portuários.
Dessa forma, o cliente reduz a parte evitável do atraso — a burocrática — e ganha previsibilidade justamente onde o mercado não oferece garantias: a operacional.
Tufões no comércio exterior: uma temporada que ainda não terminou
Tufões não vão parar de acontecer. A temporada no Pacífico Ocidental segue até outubro, e Xangai e Ningbo continuam no centro da rota entre China e Brasil. O que muda é a forma como cada empresa se prepara para os tufões no comércio exterior.
Quem planeja com antecedência, diversifica o risco e mantém a documentação em dia atravessa a tempestade com um atraso administrável. Quem não planeja paga a conta em demurrage, contrato perdido e prateleira vazia.
Fontes
Centro Meteorológico Nacional da China; South China Morning Post; SEKO Logistics — Asia Supply Chain Weather Center; Linerlytica; Kuehne+Nagel; CH Robinson; Toll Group; Woodland Group; Trans-Border Global Freight Systems; WWD/Sourcing Journal.
Fontes: https://southcargo.com/dolphin-e-tufoes-na-china-impactos-logisticos/
Saiba mais: https://astecbrasil.com.br/novidades-do-mercado/

