Crise PORTUÁRIA globaL eleva fretes e afeta o despacho aduaneiro: veja o impacto na importação de produtos da China para o Brasil.
O Brasil está sentindo a crise portuária, na prática diária de quem importa, os efeitos de uma crise portuária que já não é mais um problema distante. Congestionamentos em terminais chineses, desvios de rota causados pelos ataques no Mar Vermelho e a pressão crescente sobre o Porto de Santos formam um quadro que encarece o frete, estica prazos e complica o planejamento de quem depende de comércio exterior.
Portanto, entender a origem desses gargalos deixou de ser um assunto apenas para armadores e passou a ser uma questão estratégica para importadores, despachantes e gestores de supply chain no Brasil.
O que está acontecendo nos portos da China
Terminais estratégicos como Shanghai, Ningbo, Shenzhen, Nansha e Qingdao voltaram a registrar instabilidade operacional em 2026. A combinação de fatores climáticos, reflexos contínuos da crise no Mar Vermelho e o alto índice de overbooking praticado pelos armadores gera atrasos nas atracações e reduz a disponibilidade de contêineres vazios.
Consequentemente, quem compra da China passa a conviver com um risco adicional: a confirmação de espaço na embarcação já não garante, sozinha, que a carga sairá no prazo combinado.
Como a crise portuária afeta o despacho aduaneiro no Brasil
No lado brasileiro, a crise portuária se traduz em custos mais altos e menos previsibilidade para quem precisa nacionalizar mercadorias. O valor médio do THC (Terminal Handling Charge) em Santos, por exemplo, saiu de uma faixa entre US$ 70 e US$ 100 por TEU em 2019 para cerca de US$ 500 em 2026, segundo levantamento da Neowise Consultoria.
Além disso, o aumento no tempo médio de espera para atracação impacta diretamente o planejamento do despacho aduaneiro. Quando o navio atrasa, a janela de canal, a análise documental e a liberação da carga também atrasam, o que eleva o risco de armazenagem extra e de multas por permanência além do free time.
Porto de Santos: expansão em curso, mas pressão ainda alta
Em fevereiro de 2026, o governo federal autorizou a ampliação da área terrestre do Porto de Santos em 56%, medida que amplia a chamada poligonal do porto de 9,3 para 14,5 quilômetros quadrados. Terminais privados também anunciaram investimentos bilionários para elevar a capacidade de movimentação de contêineres.
Ainda assim, a expansão é um processo gradual. Enquanto as obras avançam, a crise portuária continua pressionando janelas de embarque, gerando filas e forçando exportadores a perder vendas por falta de espaço disponível nos navios.
O que isso significa para quem importa da China
Para o importador brasileiro, o recado é direto: o frete marítimo deixou de ser um custo estável e previsível. O índice global da Drewry girou em torno de US$ 4.339 por contêiner de 40 pés em agosto de 2026, com o desvio pelo Cabo da Boa Esperança adicionando entre 10 e 14 dias de trânsito em rotas Ásia-Europa e pressionando também as rotas Ásia-América do Sul.
Assim, o frete internacional, que compõe o valor aduaneiro usado no cálculo dos tributos de importação, acaba elevando também a carga tributária da operação — não só o custo do transporte em si.

Como se proteger da crise portuária na sua operação
Diante desse cenário, a recomendação prática é simples de enunciar, ainda que exija disciplina para executar: antecipar o planejamento logístico, negociar contratos com margem de segurança para sobretaxas de congestionamento e contar com um despachante aduaneiro que acompanhe de perto as mudanças de rota e de janela em cada embarque.
Nesse sentido, empresas que trabalham com um parceiro especializado em Brasil-China conseguem antecipar riscos documentais e reduzir a exposição a multas e atrasos, mesmo em um cenário de crise portuária prolongada.
Conclusão
A crise portuária de 2026 não tem data definida para terminar. Ela é resultado de uma combinação de geopolítica, clima e desequilíbrio de capacidade que deve continuar moldando o comércio exterior brasileiro pelos próximos meses. Por isso, o importador que se antecipa — com bom planejamento e assessoria técnica qualificada — sai na frente.
Fonte: https://www.remessaonline.com.br/blog/frete-maritimo-dispara-alta/
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